
Basílica de San Zeno Maggiore
Basílica de San Zeno Maggiore Cronologia Histórica
Última atualização em 23 de setembro de 2026San Zeno é aquela rara igreja italiana cujos maiores tesouros sobreviveram todos àquilo que destruiu o edifício à sua volta. Um sismo atingiu-a em 1117, a meio de uma renovação, e a obra do século XII que se seguiu é o que hoje está de pé — mas o túmulo por causa do qual todo o lugar existe é setecentos anos mais antigo do que as paredes que o guardam.
Cronologia
- Morre Zeno, bispo nascido em África. O direito romano colocava os enterramentos fora das muralhas, pelo que qualquer igreja posterior tinha de ficar onde estava o seu túmulo — razão pela qual a basílica fica a vinte minutos a oeste do centro em vez de dentro dele, e pela qual é sossegada.
- Consagra-se aqui uma igreja a 8 de dezembro sob o rei Pepino e o bispo Ratoldo; o corpo de Zeno é trasladado para a cripta no maio seguinte. A cripta torna-se o facto organizador da planta: tudo o que está acima é elevado para a libertar, razão pela qual o coro fica um piso inteiro acima do chão da nave.
- As incursões magiares devastam o norte de Itália e danificam a igreja. A abadia nunca mais constrói sem pensar em fortificação.
- O bispo Ratério encomenda uma reconstrução depois das incursões, financiada pelo imperador Otão I. É o dinheiro imperial que eleva San Zeno de santuário a abadia na escala que o século XII herdará.
- O abade Alberico começa o campanário. Está exento da igreja. Alberico morreu em 1067 com a torre a menos de meia altura, razão pela qual os seus corpos superiores pertencem a uma campanha posterior e a mudança se lê da praça.
- O sismo de Verona, que atinge a igreja quando a renovação românica já está em curso. Quase tudo o que um visitante vê é a resposta a ele.
- A grande reconstrução fica concluída. O portal do mestre Nicolò pertence a este século: o protiro, apoiado em colunas assentes em leões agachados, e os painéis em relevo que ladeiam a porta são aquilo por baixo e diante de que se passa antes de entrar seja no que for.
- A rosácea do mestre Brioloto de Balneo, a Roda da Fortuna, está documentada a 14 de abril. Seis figuras cavalgam o aro, subindo e descendo; é a única parte da fachada que se lê do outro lado da praça em vez de perto.
- Adamino da San Giorgio decora os arcos que dão para a cripta — o limiar entre a igreja pública e o túmulo sobre o qual foi construída.
- A República de Veneza decreta a extinção da abadia a 5 de dezembro. Desaparece a maioria das dependências monásticas; o que hoje resta ao lado da igreja — uma ala de claustro e a alta torre de tijolo — são fragmentos de um conjunto cuja lógica se perdeu.
- As tropas de Napoleão levam o retábulo de Mantegna, pintado para esta abside em meados do século XV. Regressou; parte da predela não, e o que hoje está por baixo da pintura é uma cópia.
O que sobreviveu, e como
As portas de bronze são o que aqui há de mais antigo e o sobrevivente menos provável. Quarenta e oito painéis fundidos ao longo dos séculos XI e XII por mãos diferentes — razão pela qual o estilo muda entre eles, uns planos e esquemáticos, outros modelados quase de vulto redondo. O bronze só vale a pena ser derretido quando alguém precisa mais do metal do que da porta, e aqui ninguém precisou. O pormenor de pedra em redor resistiu muito pior.
A nave é coberta por uma armação de madeira à vista em forma de quilha de navio e não por abóbada de alvenaria. É por isso que o interior parece tão largo: uma abóbada teria exigido paredes mais espessas e contrafortes, e a igreja seria mais escura e mais estreita.
Mantegna pintou o retábulo para esta posição e esta luz, prolongando a arquitectura real da abside dentro do quadro — razão pela qual não pode ser apreciado como deve ser em mais lado nenhum, e pela qual a sua remoção em 1797 importou mais do que a perda de um objecto.